31 de dez de 2006

Ilusão


São da cor do silêncio
os teus olhos
manchados de mágoa.
Revives no pensamento,
abstracta e silenciosa.

Atrás de ti, na janela,
é infinitamente azul a demora.
Tens o rosto revolto
como uma hera
e dos teus lábios
quentes de fogueira
sopras o pó da espera.

É fria a solidão dos dias,
mas por cima do teu ombro
acende-se uma flor verde e amarela.

Por isso cansa-te
de estares sentada
e olha como o teu vestido
se parece com a paleta
dum pintor,
onde se misturam

todas as cores do teu corpo.

I Parte(Fernando Esteves)

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