30 de ago de 2011

Grite! Não sussure o caos.




















Noite escura
tremor de frio
intuição aguçada
sorrisos tortuosos
maldizem temores

Grite!
Não sussurre o caos.

Quero deslizar
em teu corpo
enquanto danço
para a lua
estrelas displicentes
rastejam infindáveis
trazendo a serpente.

NANE


"É preciso manter o caos dentro de si para dar à luz
uma estrela dançante"
(Nietzche)

25 de ago de 2011

Braile


Ele
marca
em minha
pele
um poema
em braille

Um enigma
que meu
corpo

sabe de cor...
 
Nane

23 de ago de 2011

Absinto




















Inspiro
o cheiro da noite
o espaço
indefinido entre a noite e o dia
dois caminhos
brilham à minha frente
bebo em taça
de absinto
labirinto
perfeito
entre o teu corpo
e o meu desejo
pequenas doses
adocicadas do teu sangue
fogo
tua boca
incendiada
contra a minha...


Nane

21 de ago de 2011

Ensina-me

Passiva como os espelhos
Ensina-me o canto
Imanente e latente

Eu quero ouvir devagar
teu súbito falar
Que me foge de repente...

(Sophia M B Andresen)

Aqui me sentei sozinha
Com as mãos
sobre os joelhos Quieta
muda
secreta



Nane

15 de ago de 2011

Guarda-a





Escuta no silêncio
a minha voz.

Guarda-a
no fundo
do teu coração.

Guarda-a
para ouví-la
na hora em que
estiveres triste,
e em ti só existir
ausência de luz,
ausência do sol
do meu nome.

Escuta
a voz do amor
que ternamente
escrevi para ti
nas primeiras
horas da manhã...


NANE

10 de ago de 2011

Maçã verde



No espaço do meu corpo
há um cheiro de
maça verde
e eu habituei-me
a esperar-te inteira
à beira do tempo
enquanto as esquinas
se dobram de espanto

Tu és a certeza nesta viagem
pelo amanhecer tranquilo
em que a madrugada se despe
das palavras quietas
que cheiram a ti

Eu sou a incerteza
da partida que sabe
a desejo...

Antonio Sem

3 de ago de 2011

Poema sobre a loucura de amar-te




















Mil e uma noites
esperei em vão
não bates à minha porta

Na sala paira o aroma do teu corpo
no espelho um anjo disforme
puxa-me para ao abismo
dos sonhos esquecidos
das mágoas decifradas em enigmas

Poema sobre a loucura
de amar-te
sem ver teus olhos de outono

Saudade de quando ainda éramos puros
e sonhávamos com o pôr-do-sol
da tua praia deserta

Esvoaçam em labirintos
gaivotas perdidas
somos nós dois
subvertendo a miragem
e negando o adeus que já aconteceu
mas nunca foi dito


Nane