31 de mai de 2015

"Chame-me à meia-noite e me diga que você não pode dormir sem mim."














Alguna vez de un costado de la Luna
verás caer los besos que brillan en mí


Alejandra Pizarnik

9 de jun de 2013



"Olhar-te bem nos olhos: que voragem!
Ouvir-te a voz na alma: que estridência!
É tão difícil termos coragem
de nos vermos enfim sem complacência.

É tão difícil regressar de viagem,
e descobrir no rastro tanta ausência...
Mas os meus olhos, súbito, reagem.
À tua voz chega o silêncio e vence-a.

Nos pulsos vibra ainda o mesmo rio
que no delta dos dedos se extasia
e moroso reflui ao coração.

O gesto de acusar-te? Suspendi-o.
Mas foi só aguardando melhor dia
em que tenha lugar a execução."


DAVID MOURÃO FERREIRA, in INFINITO PESSOAL (Guimarães Ed., 1962)

Também este crepúsculo nós perdemos.
Ninguém nos viu hoje à tarde de mãos dadas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.

Olhei da minha janela
a festa do poente nas encostas ao longe.

Às vezes como uma moeda
acendia-se um pedaço de sol nas minhas mãos.

Eu recordava-te com a alma apertada
por essa tristeza que tu me conheces.

Onde estavas emtão?
Entre que gente?
Dizendo que palavras?
Porque vem até mim todo o amor de repente
quando me sinto triste, e te sinto tão longe?
Pablo Neruda

25 de nov de 2012























"É maravilhoso o inexplorado, o inesperado,
a única coisa que está escondida e a coisa imutável
que se esconde por trás da mutabilidade superficial.
Para rastrear o remoto no imediato, o eterno no efêmero,
o passado no presente, o infinito no finito,
que são para mim as fontes de prazer e beleza."

 "Eu moro em terror de não ser mal interpretado."

-Lovecraft

23 de nov de 2012





















Beija-me com ternura. Abraça-me, enquanto eu te imploro para parar. 
Quando eu me afastar, siga-me. 
Cubra minha boca com a sua, 
para que apenas você possa ouvir meus gritos silenciosos. 
Escove o cabelo dos meus olhos para que eu possa ver 
exatamente onde você está ..... 

21 de nov de 2012




















"Você é ao mesmo tempo, a calma e a confusão do meu coração."
-Franz Kafka

20 de nov de 2012



Seus lábios tocaram seu cérebro
à medida que tocou seus lábios,
como se fosse um veículo 
de alguma linguagem vaga e entre eles, 
sentiu uma pressão desconhecida e tímida, 
mais escura do que o desmaio do pecado, 
mais suave do que o som ou cheiro. "

-James Joyce

18 de nov de 2012









Eu amo seus silêncios, eles são como os meus.
Você é o único ser diante do qual eu não estou angustiado
por meus próprios silêncios.
Você tem um silêncio veemente, um sentir cheio de essências,
é um silêncio estranhamente vivo,
como uma armadilha aberta sobre um poço,
de onde se pode ouvir o murmúrio secreto da própria terra.

Anaïs Nin, Je suis le plus malade des Surrealistes

17 de nov de 2012

L'ÂGE D'AIRAN-(Rodin)


























Devagar, devagar, em frente à luz
Carregado de sombras e de peso
Arrancando o seu corpo da raiz

No extremo dos seus dedos nasce um voo
No vértice do vento e da manhã
Uma asa vai - perdida dos seus dedos.

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN,

 in CORAL (1950), in OBRA POÉTICA (Caminho, 2010)

15 de nov de 2012



















Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no ceremonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto. 

- Pablo Neruda

25 de set de 2012

COISAS TUAS














Levo coisas tuas
...
para poder estar contigo
na distância.
Para nunca te perder a companhia,
mesmo não estando.
Levo gravado o teu gesto,
o pranto, o riso, e,
(ora inocente, ora picante),
o teu sorriso,
que é a tua expressão,
o teu maior encanto.
E levo um objecto,
teu pertence,
como se o espaço tivesse autoridade
e o tempo nos afastasse.

Como se fosse preciso...

MARGARIDA FARO, in 44 POEMAS (Fonte da Palavra, 2011)

24 de set de 2012









"Longe, 
Seu coração bate por mim;
E a sua mão desenha aquele afago
Que me sossega inteiro...
Longe,
...
A verdade serena do seu rosto
É que faz este dia verdadeiro......"

-MIGUEL TORGA, in DIÁRIO I (1941)Coimbra, 7ª ed., 1989)