3 de nov. de 2006

Sensações




Minha voz viaja
a procura da tua
na noite misteriosa
e cálida

Meu corpo estremece
neste som que ondula
louco turbilhão
de sensações

Deixo-me tocar
longamente
por cada sílaba
deliciosamente nua

Exalando perfume
de girassóis do meio-dia
milhares de pólens
reluzentes dançam
na minha pele
a procura da tua...

12 de out. de 2006

Vitrais




(...)Cheiro a lilás,
tu a limão
No imprevisto
há violetas
Espargindo o chão.
Abre-se o tempo,
vernal momento
Das veias loucas,
coros siderais,
Vestal me sinto
quando te dou
Da catedral,
os meus vitrais(...)

Alice Fergo

10 de out. de 2006

Marinheiro real



No mar passa
de onda em onda repetido
O meu nome fantástico
e secreto
Que só os anjos
do vento reconhecem
Quando os encontro
e perco de repente

Vem
do mar azul
o marinheiro

Vem
tranquilo
ritmado
inteiro

Perfeito como um deus,
Alheio às ruas.

Marinheiro Real

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

7 de out. de 2006

Um dia sem sol



"É uma brisa leve
Que o ar um momento teve
E que passa sem ter
Quase por tudo ser.

Quem amo não existe.
Vivo indeciso e triste.
Quem quis ser já me esquece
Quem sou não me conhece.

E em meio disto o aroma
Que a brisa traz me assoma
Um momento à consciência
Como uma confidência. "

("É uma brisa leve" Fernando Pessoa)

Quero-te... Sei-te... Chamo-te...

13 de jul. de 2006

Madrugada

Vi emergir
na bruma leve
da madrugada
o líquido orvalhado
do nosso desejo

Sem ao menos
te tocar

Você vive em minhas mãos...

11 de jul. de 2006

Teu nome

Na areia fina desenhei teu nome
Na ponta dos dedos
Queimando a pele
A grave certeza de um desejo louco
Rasgando a cortina do tempo
Nas tuas mãos o cheiro do meu corpo
E na minha boca teu gosto ainda
Rasgando a pele em
Dor e prazer Um feixe de luz
Explode em ternura
Num compasso de vida e morte
Sufoco
E renasço
Em cada verso
Na longa espera
da tua chegada...

13 de jun. de 2006

Luz mais rara



(...)Meus olhos vêem melhor
se os vou fechando.
Viram coisas de dia
e foi em vão,
mas quando durmo,
em sonhos te fitando,
são escura luz
que luz na escuridão.

Tu cuja sombra
faz a sombra clara,
como em forma
de sombras assombravas
ledo o claro dia
em luz mais rara,
se em sombra
a olhos sem visão brilhavas!

Que bênção a meus olhos fora feita
vendo-te à viva luz do dia bem,
se tua sombra em trevas imperfeita
a olhos sem visão no sono vem!.

Vejo os dias quais noites não te vendo,
e as noites dias claros sonhos tendo.(...)

William Shakespeare - Soneto 43

5 de jun. de 2006

vento

Há dias em que desejo ser vento tempestade quebrar as velas todas do meu barco quebrar todas as regras fugir refugiar-me num abraço terno deixar abertas todas as janelas e viajar de olhos bem fechados até que cansada num porto distante desperte brisa suave...

4 de jun. de 2006

Saudades Futuras



Dissimulada
imagem
que passa

Inesperada
dor

Reflexo
de um pedaço
de mim
que chegou
e partiu

Ainda que jamais
tenha batido
à minha porta...

3 de jun. de 2006

Ah! Por um beijo teu




Brisa leve
desliza
pela face

Desce
em busca
da doce frescura
dos teu beijos

Ardentes
na procura
as ondas
chocam-se
uma a uma
numa explosão
de paixão

Sedentos
dançam
pelo ar
meus lábios
procurando os teus...

2 de jun. de 2006

Amanhecer contigo



Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.

Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita,
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.
O teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda não existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
– pão, vinho, amor e cólera –
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.

Dormi contigo
toda a noite enquanto
a terra escura gira
com os vivos e os mortos,
e ao acordar de repente
no meio da sombra
o meu braço cingia a tua cintura.
Nem a noite nem o sono
puderam separar-nos.

Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,
saída do teu sono,
trouxe-me o sabor da terra,
da água do mar, das algas,
do âmago da tua vida,
e recebi teu beijo,
molhado pela aurora,
como se me viesse
do mar que nos cerca.

Pablo Neruda

15 de mai. de 2006

(Des)Caminhos...


Nos meus lábios
Recolho silenciosamente
Cada palavra esquecida por ti
Faço um poema
Na música da tua voz
Deito, ardente de desejo;
Meus beijos
Na tua pele
E te espero mesmo sabendo
Que um dia
Haverá uma partida sem regresso...

11 de mai. de 2006

Sentidos




Mantenho
os olhos atentos
medindo os momentos
em brumas medievais

Danço
neste império
dos sentidos
que é o teu corpo

Perco-me
no doce
labirinto
dos teus beijos

Imprevisível
tempestade
ou brisa suave
depois de te amar...

7 de mai. de 2006

Ala(medos)




Passos
Formas avulsas
perguntas, cores.
O decote sem lógica.
Interrogações (?)
Um cismar inquietante,
versificando o medo.
Mil bocas
a mesma tinta
Á vista
vestindo
as aquarelas de mim...

W Soares

4 de mai. de 2006

Une Hirondelle





Une hirondelle est vevnue,
Affollée et toute belle
Se poser un instant
Et serait bien resté
Si on l'avait invitée
Et lui, il a tant douté, pesé, attendu,
Craint et réfléchi

"Est-elle sincère,
est-ce bien le Printemps?"

Qu'elle a repris son envol "
Ah, que fait-elle à présent?
Où se trouve son nid,
qui est son amoureux?
Et qu'est-ce que je vais
faire de ma tendresse?
Ah, j'attends que le soleil
vienne sécher mes yeux

Un ver à soie dévore
le mûrier de mon coeur
Est-ce qu'elle habite
sur un fil téléphonique?

Ah, Du ciel de ma vie
elle était souveraine

Et je l'ai laissée partir"

Biá

16 de fev. de 2006

Lágrima estrelada




No meu ser há um vento
Que tudo transforma
Faz do meu corpo
Este pássaro
Voando além do pensamento
Libertando...
Maresias de ternura
Salpicando
Névoas de solidão
Soprando
Espumas de silêncio
Recolhendo...
Em cada lágrima estrelada
A emoção...
O sonho...
E o respirar....
De uma alma solta...

E.Vieira

13 de dez. de 2005

Dançar...é voar



"Lancei
cordas
de campanário
a campanário;
grinaldas
de janela
a janela;
cadeias
de ouro
de estrela
a estrela,

e danço"

Jean-Arthur Rimbaud

10 de dez. de 2005

Ardente



Te amei no transparente
azul sem te ver
Só as lembranças de ti
que me tocam

Não conheço a luz dos
teus olhos
mas sinto no calor
deste meio-dia-ardente
os aromas de ti
que me incendeiam
num desmedido encanto

Te amei sem que soubesses
que neste instante
tudo o que me rodeia
tem o teu nome
a tua voz
o teu rosto

Agora até o sol
que doura minha pele
arde como fogo
neste pedaço de azul
onde te encontro...