15 de fev. de 2008


"Um dia, quando a ternura for a única
regra da manhã, acordarei entre os teus braços.
A tua pele será talvez demasiado bela.
E a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
Um dia, quando a chuvasecar na memória,
quando o inverno fôr tão distante, quando o frio responder
devagar como a voz arrastada de um velho,
estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito
da nossa janela.
Sim, cantarão pássaros, haverá flores,
mas nada disso será culpa minha,
porque eu acordarei nos teus braços
e nao direi nem uma palavra, nem
o princípio de uma palavra, para não
estragar a perfeição da felicidade"
in "a criança em ruínas" José Luís Peixoto

2 de fev. de 2008

Teorema das cores....


...que iluminam esta manhã."
Algumas pessoas passam pela vida sem ver as cores do dia, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa.Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes, amarelos , azuis borrifados de branco, verdes impossíveis, branco alvíssimo de nuvens de tons enevoados..."

Eu faço questão de ver as cores do dia quando nasce....quando a luz suave do sol desce sobre a cidade, suavemente até tomar conta de tudo, poderoso e inalcancável....O sol....amo o sol!

26 de jan. de 2008


Era assim:

queres?
queres algo?
queres desejar?
desejas querer?
desejas-me?
desejas querer-me?
queres desejar-me?
queres querer-me?
queres que te deseje?
desejas que te queira?
queres que te queira?
quanto me queres?
quanto me desejas?

ah quanto te quero
quando te quero
quando me queres...

Ana Hatherly
"Um calculador de improbabilidades"

20 de jan. de 2008


Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.

Albano Martins
Escrito a Vermelho

17 de jan. de 2008


"Inclina para mim os teus lábios
e que ao sair da minha boca
a minha alma volte a entrar dentro de ti.
"Denis Diderot

12 de jan. de 2008

Como um livro



Folheei o teu corpo como um livro
à procura da tua alma.......................................
Albano Martins

31 de dez. de 2007


De repente amar-te
é mais que um copo de absinto
é mais que uma onda revolta
envolvendo meu corpo
de espuma e sal
é mais que o sangue
pulsando quente na noite fria
é mais que embriagar-me
nos teus lábios
doces e impossíveis

21 de dez. de 2007


Que música começa
nos teus dedos e sobe
pelas veias do verso
quando o sangue se move
só por dentro dos ossos
entre o som e o medo?
Donde emerge o remorso
de ferir o silêncio
e deixar que o desejo
a pairar se dissolva
num arpejo de dor
quando o verso já sobe
nas veias dos teus dedos
e a música começa?

José Augusto Seabra

15 de dez. de 2007


Quando amanhece penso:

Encontro-te no vento
virás abraçar-me como os ramos da árvore
e chegaremos ao coração da cidade

Ao meio-dia sei:
A distância do meu corpo ao teu grito
corresponde à do teu sopro ao meu ouvido
eis a anatomia do silêncio

De tarde fico exausta:
Circulo pelas ruas e roço-me nas praças

À noite adormecemos:
Será que te lembras? será que me lembro?

Amanhã alegro-me de novo:
Imagino a floresta, parto o espelho
e recomeço a ir ao teu encontro.

Teresa Balté