11 de abr. de 2008


O azul, o azul rouco, o azul
sem cor, luz gémea da sede.
Acerca deste rigor
tenho uma palavra a dizer,
uma sílaba a salvar desta aridez, asa

ferida, o olhar arrastado
pela pedra
calcinada, húmido
ainda de ter pousado
à sombra de um nome,
o teu:
amor do mundo,

amor de nada.


Eugénio de Andrade

6 de abr. de 2008

Tu sais, je vai t'aimer


Tu sais, je vai t'aimer
Même sans ta présence, je vais t'aimer
Même sans espérance, je vais t'aimer
Tous les jours de ma vie
Dans mes poèmes, je t'écrirai:
"C'est toi que j'aime, c'est toi que j'aimerai
Tous les jours de ma vie"
Tu sais, je vais pleurer
Quand tu t'éloigneras, je vais pleurer
Mais tu me reviendras et j'oublierai
La douleur de mes nuits
Tu sais, je souffrirai
A chaque instant d'attente, je souffrirai
Mais quand tu seras là, je renaîtrai
Tous les jours de ma vie


Nana Caymmi e Marcio Faraco
Composição: Tom Jobim / Vinícius de Moraes /
Versão: Georges Moustake

27 de mar. de 2008


Amo devagar os amigos que são tristes

com cinco dedos de cada lado

Os amigos que enlouquecem

e estão sentados, fechando os olhos,

com livros atrás a arder

para toda a eternidade.

Não os chamo, e eles voltam-se profundamente

dentro do fogo.- Temos um talento doloroso

e obscuro.Construímos

um lugar de silêncio.De paixão.


Herberto Helder ( Poemacto-1961)




Deixa que eu te ame em silêncio
Não pergunte
não se explique
deixe que nossas línguas se toquem
e as bocas e a pele
falem seus líquidos desejos.

Deixa que eu te ame
sem palavras
a não ser aquelas
que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se o amor e a vida
fosse um discurso
de impronunciáveis emoções

12 de mar. de 2008


O meu amor tem lábios de silêncio
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo
para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.


Jorge Palma

28 de fev. de 2008

15 de fev. de 2008


"Um dia, quando a ternura for a única
regra da manhã, acordarei entre os teus braços.
A tua pele será talvez demasiado bela.
E a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
Um dia, quando a chuvasecar na memória,
quando o inverno fôr tão distante, quando o frio responder
devagar como a voz arrastada de um velho,
estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito
da nossa janela.
Sim, cantarão pássaros, haverá flores,
mas nada disso será culpa minha,
porque eu acordarei nos teus braços
e nao direi nem uma palavra, nem
o princípio de uma palavra, para não
estragar a perfeição da felicidade"
in "a criança em ruínas" José Luís Peixoto

2 de fev. de 2008

Teorema das cores....


...que iluminam esta manhã."
Algumas pessoas passam pela vida sem ver as cores do dia, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa.Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes, amarelos , azuis borrifados de branco, verdes impossíveis, branco alvíssimo de nuvens de tons enevoados..."

Eu faço questão de ver as cores do dia quando nasce....quando a luz suave do sol desce sobre a cidade, suavemente até tomar conta de tudo, poderoso e inalcancável....O sol....amo o sol!

26 de jan. de 2008


Era assim:

queres?
queres algo?
queres desejar?
desejas querer?
desejas-me?
desejas querer-me?
queres desejar-me?
queres querer-me?
queres que te deseje?
desejas que te queira?
queres que te queira?
quanto me queres?
quanto me desejas?

ah quanto te quero
quando te quero
quando me queres...

Ana Hatherly
"Um calculador de improbabilidades"

20 de jan. de 2008


Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.

Albano Martins
Escrito a Vermelho

17 de jan. de 2008


"Inclina para mim os teus lábios
e que ao sair da minha boca
a minha alma volte a entrar dentro de ti.
"Denis Diderot

12 de jan. de 2008

Como um livro



Folheei o teu corpo como um livro
à procura da tua alma.......................................
Albano Martins