-
22 de nov. de 2012
18 de nov. de 2012
Eu amo seus silêncios, eles são como os meus.
Você é o único ser diante do qual eu não estou angustiado
por meus próprios silêncios.
Você tem um silêncio veemente, um sentir cheio de essências,
é um silêncio estranhamente vivo,
como uma armadilha aberta sobre um poço,
de onde se pode ouvir o murmúrio secreto da própria terra.
Anaïs Nin, Je suis le plus malade des Surrealistes
17 de nov. de 2012
15 de nov. de 2012
Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no ceremonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no ceremonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.
- Pablo Neruda
8 de nov. de 2012
1 de out. de 2012
25 de set. de 2012
COISAS TUAS
Levo coisas tuas
...
para poder estar contigo
na distância.
Para nunca te perder a companhia,
mesmo não estando.
Levo gravado o teu gesto,
o pranto, o riso, e,
(ora inocente, ora picante),
o teu sorriso,
que é a tua expressão,
o teu maior encanto.
E levo um objecto,
teu pertence,
como se o espaço tivesse autoridade
e o tempo nos afastasse.
Como se fosse preciso...
MARGARIDA FARO, in 44 POEMAS (Fonte da Palavra, 2011)
na distância.
Para nunca te perder a companhia,
mesmo não estando.
Levo gravado o teu gesto,
o pranto, o riso, e,
(ora inocente, ora picante),
o teu sorriso,
que é a tua expressão,
o teu maior encanto.
E levo um objecto,
teu pertence,
como se o espaço tivesse autoridade
e o tempo nos afastasse.
Como se fosse preciso...
MARGARIDA FARO, in 44 POEMAS (Fonte da Palavra, 2011)
22 de set. de 2012
CORAÇOM AO VENTO...
"Fértil agromada no coraçom do vento,
frutas aguardadas no meio das florestas,
eu em ti!,namorando levemente lava rosa,
no côncavo do meu meu corpo desangrado.
Seduce-me agora que a noite chega,
ispe-me num manto de jazmíns e lirios,
como sangue que nos beiços se eternice,
como as asas que nos namoram livremente.
Nos côncavos dos corpos desangrados,
ti e eu adormecemos no nosso fogo queimado
como cervos orgánicos,voraces,decepados,
rasgados,enlouquecidos,entreabertos; devorados
nas aranheiras volateis do nosso amor de sangue.
Seduce-me agora que chega a noite no fluxo
das fontelas que se espandem quentes,mestura
dos zumes que se ceivam no orgasmo pleno...
Fértil agromada no coraçom do vento
ti es a froita que esvara nos meus lábios."
* Este poema encontra-se escrito em Galaico-Português
6 de set. de 2012
TAMBÉM ESTE CREPÚSCULO...
Também este crepúsculo nós perdemos.
Ninguém nos viu hoje à tarde de mãos dadas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.
Olhei da minha janela
a festa do poente nas encostas ao longe.
Às vezes como uma moeda
acendia-se um pedaço de sol nas minhas mãos.
Eu recordava-te com a alma apertada
por essa tristeza que tu me conheces.
Onde estavas então?
Entre que gente?
Dizendo que palavras?
Porque vem até mim todo o amor de repente
quando me sinto triste, e te sinto tão longe?
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.
Olhei da minha janela
a festa do poente nas encostas ao longe.
Às vezes como uma moeda
acendia-se um pedaço de sol nas minhas mãos.
Eu recordava-te com a alma apertada
por essa tristeza que tu me conheces.
Onde estavas então?
Entre que gente?
Dizendo que palavras?
Porque vem até mim todo o amor de repente
quando me sinto triste, e te sinto tão longe?
1 de set. de 2012
A EXALTAÇÃO DA PELE
Hoje quero com a violência da dádiva interdita.
...
...
Sem lírios e sem lagos
e sem o gesto vago
desprendido da mão que um sonho agita.
Existe a seiva. Existe o instinto. E existo eu
suspensa de mundos cintilantes pelas veias
metade fêmea metade mar como as sereias...
e sem o gesto vago
desprendido da mão que um sonho agita.
Existe a seiva. Existe o instinto. E existo eu
suspensa de mundos cintilantes pelas veias
metade fêmea metade mar como as sereias...
NATÁLIA CORREIA, in POEMAS (1955),
in POESIA COMPLETA - O SOL NAS NOITES E O LUAR NOS DIAS
(Dom Quixote, 2007)
25 de ago. de 2012
SÁBADOS
Lá fora, há um ocaso, obscura jóia
...
...
engastada no tempo,
e uma recôndita cidade cega
de homens que não te viram.
A tarde cala ou canta.
Alguém descrucifica os ansios
cravados no piano.
Sempre a abundância da tua beleza
* * *
A despeito do teu desamor,
a tua beleza
prolonga o seu milagre pelo tempo.
A felicidade mora em tu
tal como a Primavera numa folha nova.
Não sou quase ninguém,
sou apenas o anseio
que se perde na tarde.
Em ti mora o prazer
tal como a crueldade nas espadas.
* * *
Carregando as persianas vem a noite.
Na sala tão severa, como cegos,
procuram-se uma à outra as nossas solidões,
Sobreviveu à tarde
a brancura gloriosa da tua carne.
No nosso amor há uma pena
parecida com a alma.
* * *
Tu
que ainda ontem eras só toda a beleza
és agora também todo o amor.
*
JORGE LUIS BORGES, in FERVOR DE BUENOS AIRES,
e uma recôndita cidade cega
de homens que não te viram.
A tarde cala ou canta.
Alguém descrucifica os ansios
cravados no piano.
Sempre a abundância da tua beleza
* * *
A despeito do teu desamor,
a tua beleza
prolonga o seu milagre pelo tempo.
A felicidade mora em tu
tal como a Primavera numa folha nova.
Não sou quase ninguém,
sou apenas o anseio
que se perde na tarde.
Em ti mora o prazer
tal como a crueldade nas espadas.
* * *
Carregando as persianas vem a noite.
Na sala tão severa, como cegos,
procuram-se uma à outra as nossas solidões,
Sobreviveu à tarde
a brancura gloriosa da tua carne.
No nosso amor há uma pena
parecida com a alma.
* * *
Tu
que ainda ontem eras só toda a beleza
és agora também todo o amor.
*
JORGE LUIS BORGES, in FERVOR DE BUENOS AIRES,
in OBRAS COMPLETAS I 1923-1949,
trad. de FERNANDO PINTO DO AMARAL (Teorema, 1998)
11 de ago. de 2012
"Uma felicidade nos dedos
um fluir cálido o sol
captado no repouso sobre a mesa
e escrito aqui um sol tão rápido
Nada se separa sob os dedos
ignorantes da divisão do vidro
e o pássaro fica
sem o canto
não o sabem os dedos
Eles deslizam sobre a superfície
Eles deslizam sobre a superfície
na absoluta densidade indesvendável..."
ANTÓNIO RAMOS ROSA, in O INCERTO EXACTO (1982)
in ANTOLOGIA
in ANTOLOGIA
25 de jul. de 2012
22 de jul. de 2012
Intocável

Ouço
o som
intocável
da tua voz
Vejo
teu corpo
que passa
por mim
como nuvem
mas não te alcanço
Cisnes negros
dançam
para mim,
flutuam
em imensos lagos
de gelo e luz
São meus sonhos
que prendem-se
em suaves teias,
algemas de vidro
Amanheço
ainda com
o toque
dos teus dedos
a marca dos beijos,
diamantes,
pedras preciosas
cravadas
em minha pele nua...
Eliane
Curiosidades:
Existem muitas histórias sobre os diamantes.
Os gregos acreditavam serem lascas de estrelas que caíram na Terra.
É o símbolo do amor "inquebrável" e a razão
de usar-se um anel de diamantes no terceiro
dedo da mão esquerda é porque os egípcios
acreditavam que a "veia do amor"
vinda diretamente do coração, terminava neste dedo.
Assinar:
Postagens (Atom)
















