20 de jun. de 2008



Imagino-te
No ritmo de um dança
como se fosses um acorde
sem fim.
Imagino-te ao meu lado
sem grades, sem armadura
recostado em meu peito
olhando para mim.
Eu sei, só assim existes,
entre o sonho e a imaginação
como folha de jornal
cavalgando o vento,
até cair...

14 de jun. de 2008

Rosa de Sal


Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda

3 de jun. de 2008


E o meu desejo de ti
são lágrimas por dentro,
tão doídas e fundas
que se não fosse:

____ o tempo de viver;
____ e a janela ao meu lado

invadia de amor o teu reflexo
e em estilhaços de vidro
mergulhava em ti

Ana Luísa Amaral

28 de mai. de 2008



Recordo-te a respirar ali
a casa no silêncio
o silêncio em ti
tu em mim
e depois
não me lembro de mais nada...

Sarah Adamopoulos

25 de mai. de 2008




No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha.



Eugénio de Andrade

24 de mai. de 2008



"Que o meu céu seria beber-te
se tu fosses água.
E todas as flores de nomes impronunciáveis,
plantadas algures em cidades imagiárias,
seriam a sombra dos dias
que me sacia a fome
de uma existência
onde sou carnal"

Paulo Ferreira

21 de mai. de 2008

Andalusian Stallion, Apassionatta







(...)Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma(...)

Neruda

18 de mai. de 2008


Os teus olhos
exigindo
ser bebidos

Os teus ombros
reclamando
nenhum manto

Os teus seios
pressupondo
tantos pomos

O teu ventre
recolhendo
o relâmpago


(David Mourão Ferreira)

14 de mai. de 2008



O SORRISO

Creio que foi o sorriso,
0 sorriso foi quem abriu a
porta.
Era um sorriso com
muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa,
ficar
nu dentro daquele
sorriso.
Correr, navegar, morrer
naquele sorriso.


(Eugênio de Andrade)