25 de abr. de 2010

















"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pátio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
 
 
(Olavo Bilac)

21 de abr. de 2010














"Por te falar
eu te assustarei
e te perderei?

Mas se eu não falar
eu me perderei,
e por me perder
eu te perderia."


Clarice Lispector)

16 de abr. de 2010

Inevitável querer



















"Pois havia o perigo de,
por assim dizer,
morrer de amor."

Clarice Lispector


"Sinto-me toda igual às árvores:
solítária, (im)perfeita e (im)pura"

C. Meireles

10 de abr. de 2010

Afeto




















Partir sem destino algum
dividir sem saber com quem
porque o amor não entende
de linha reta
e caminhando assim
não mais serei ilusão
nem sonho
mas doce lembrança
do afeto primeiro

Vênus

7 de abr. de 2010



















"Tu eras também
uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali"
 
 
Pablo Neruda
 
Foto By Alex

5 de abr. de 2010














"Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos,
em inumeráveis noites de estrelas."

(Maiakóvski)












Ouve-me, ouve o meu silêncio.
O que falo nunca é o que falo
e sim outra coisa.

Capta essa outra coisa
e que na verdade falo
porque eu mesma não posso.

Clarice Lispector













Apenas amores impossíveis
e não concretizados podem ser românticos,
pq eles mantém viva a perfeição do desejo e da idealização

Será??

4 de abr. de 2010























Às vezes sentava-me na rede,
balançando-me com o livro no colo,
sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com um livro:
era uma mulher com seu amante.


Clarice Lispector

25 de mar. de 2010















"Um pouco mais de sol
 eu era brasa.

Um pouco mais de azul
 eu era além"


Mário de Sá-Carneiro

8 de mar. de 2010














Um poema afinal não se escreve,
nem se desenha,
nem nada.
Um poema oferece-se,
como quem dá uma
flor-camuflada-entre-dos-dedos-de-uma-mão-que-acaricia,
mas com os lábios,
ou com o olhar,
todo desarrumado de sentires,
para nos extasiarmos na procurar dos sorrisos q
ue se soltam em cada viagem que nos transporta,
aos caminhos por onde ele andou antes de nós…

A.D

3 de mar. de 2010




















O círculo
rodeia o espaço
a forma dos membros
de onde sai a língua
e por onde entra
sem reclamar do silêncio
onde cai a vida.

Porque se mão
apaga mão, um
rosto sobe
como um fio de vulcão
lava
acende o sentido:
o plano é este.

Aplacar o deus
escondido no corpo.


Sérgio

28 de fev. de 2010



















Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa
ou forte como uma ventania,
Depende de quando
e como você me vê passar.


Clarice Lispector

20 de fev. de 2010



















... de ti colho as flores que em minha casa
fazem explodir de luz os corredores
e esqueço a solidão que trago acesa
acima de outras dores...

Torquato da Luz

16 de fev. de 2010



















"Mas por onde eu
caminhe
levarei teu olhar e
para onde
tu fores
levarás minha dor"


Pablo Neruda

22 de jan. de 2010

Este Cais Vertical
















Vem escolher o encanto para que o mar nos respire
quando a calma sufoca
Vem prender esta visão de inquietante alegria no silêncio mais alto
para que seja farol na ponta de um desejo alado

Esquece o mar absurdo
os barcos de papel eternamente longe os olhos ancorados
os passos como pedras para os braços crescerem verticais
e os sonhos inautênticos
o mar das armaduras submersas por enquanto vem
içar as gaivotas para que as possas baixar quando quiseres
se um céu apenas negro for preciso

Vem dormir sobre mim com o peso das coisas arribadas
o peso de nascerem sem mastros as noites e ser ainda cedo
e ser sempre tão cedo ao pé do mar que os olhos nem repousam
nem as espadas se cumprem erectas na fímbria de água dos desejos

Vem dormir sobre mim ainda é esta a manhã
de quando o mar unificava as escarpas
e as mãos os cumes e os destinos os anseios e as vozes
e é tempo de enfrentar a distância das coisas aqui
onde as coisas não cabem mas todos os rumos se concentram


Carlos nogueira

18 de jan. de 2010

Entre os teus lábios...

















Húmido de beijos e de lágrimas,
ardor da terra com sabor a mar,
o teu corpo perdia-se no meu.

(Vontade de ser barco ou de cantar.)


Eugênio de Andrade

12 de jan. de 2010


























...tomou conta de mim!
Toda eu me sinto assim, nua
porque tardas em me fazer tua;
e o teu calor sabe a ausência e a dor...

E percorro, sem olhar, esse lugar...
e tenho medo de
reparar e ver...que não te sei
por te não reconhecer...
Só porque ousei
desnudar-me, assim, para ti, amor...

A.D