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3 de jun. de 2015
9 de jun. de 2013
"Olhar-te bem nos olhos: que voragem!
Ouvir-te a voz na alma: que estridência!
É tão difícil termos coragem
de nos vermos enfim sem complacência.
É tão difícil regressar de viagem,
e descobrir no rastro tanta ausência...
Mas os meus olhos, súbito, reagem.
À tua voz chega o silêncio e vence-a.
Nos pulsos vibra ainda o mesmo rio
que no delta dos dedos se extasia
e moroso reflui ao coração.
O gesto de acusar-te? Suspendi-o.
Mas foi só aguardando melhor dia
em que tenha lugar a execução."
DAVID MOURÃO FERREIRA, in INFINITO PESSOAL (Guimarães Ed., 1962)
Também este crepúsculo nós perdemos.
Ninguém nos viu hoje à tarde de mãos dadas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.
Olhei da minha janela
a festa do poente nas encostas ao longe.
Às vezes como uma moeda
acendia-se um pedaço de sol nas minhas mãos.
Eu recordava-te com a alma apertada
por essa tristeza que tu me conheces.
Onde estavas emtão?
Entre que gente?
Dizendo que palavras?
Porque vem até mim todo o amor de repente
quando me sinto triste, e te sinto tão longe?
Ninguém nos viu hoje à tarde de mãos dadas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.
Olhei da minha janela
a festa do poente nas encostas ao longe.
Às vezes como uma moeda
acendia-se um pedaço de sol nas minhas mãos.
Eu recordava-te com a alma apertada
por essa tristeza que tu me conheces.
Onde estavas emtão?
Entre que gente?
Dizendo que palavras?
Porque vem até mim todo o amor de repente
quando me sinto triste, e te sinto tão longe?
Pablo Neruda
25 de nov. de 2012
"É maravilhoso o inexplorado, o inesperado,
a única coisa que está escondida e a coisa imutável
que se esconde por trás da mutabilidade superficial.
Para rastrear o remoto no imediato, o eterno no efêmero,
o passado no presente, o infinito no finito,
que são para mim as fontes de prazer e beleza."
"Eu moro em terror de não ser mal interpretado."
-Lovecraft
22 de nov. de 2012
18 de nov. de 2012
Eu amo seus silêncios, eles são como os meus.
Você é o único ser diante do qual eu não estou angustiado
por meus próprios silêncios.
Você tem um silêncio veemente, um sentir cheio de essências,
é um silêncio estranhamente vivo,
como uma armadilha aberta sobre um poço,
de onde se pode ouvir o murmúrio secreto da própria terra.
Anaïs Nin, Je suis le plus malade des Surrealistes
17 de nov. de 2012
15 de nov. de 2012
Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no ceremonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no ceremonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.
- Pablo Neruda
8 de nov. de 2012
1 de out. de 2012
25 de set. de 2012
COISAS TUAS
Levo coisas tuas
...
para poder estar contigo
na distância.
Para nunca te perder a companhia,
mesmo não estando.
Levo gravado o teu gesto,
o pranto, o riso, e,
(ora inocente, ora picante),
o teu sorriso,
que é a tua expressão,
o teu maior encanto.
E levo um objecto,
teu pertence,
como se o espaço tivesse autoridade
e o tempo nos afastasse.
Como se fosse preciso...
MARGARIDA FARO, in 44 POEMAS (Fonte da Palavra, 2011)
na distância.
Para nunca te perder a companhia,
mesmo não estando.
Levo gravado o teu gesto,
o pranto, o riso, e,
(ora inocente, ora picante),
o teu sorriso,
que é a tua expressão,
o teu maior encanto.
E levo um objecto,
teu pertence,
como se o espaço tivesse autoridade
e o tempo nos afastasse.
Como se fosse preciso...
MARGARIDA FARO, in 44 POEMAS (Fonte da Palavra, 2011)
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