20 de mai. de 2010

Solidão





















"Eu quero mesmo é alguém
que faça meu corpo querer companhia
nos momentos em que minha mente
insiste pela solidão."

Caio F. Abreu

A menina que roubava livros





















"O único dom
que me salva é a distração.
 Ela preserva minha sanidade. "

Markus Suzak - A menina que roubava livros

17 de mai. de 2010

VELVET


A transformação começa depois de uma ducha quente, visto meu
roupão vermelho e vou para o quarto, gosto de me vestir e me
preparar para a noite ouvindo música, uma música específica,
sempre a mesma....Portishead-Roads.

Visto cuidadosamente as meias de seda e o body branco, prendo
os cabelos e faço a maquiagem, visto a peruca rosa e o salto 10.

Ninguém consegue entrar na alma de quem está por trás desta
imagem. Apenas um homem até hoje conseguiu decifrar meu
enigma e sabe de todos os meus medos, fantasmas e todas as
minhas mais loucas fantasias.
Visto um casaco 7/8 e saio. Noite de sexta-feira é sempre
muito agitado na “Blue Room” onde trabalho. O locutor
avisa que sou a próxima a fazer a apresentação, a luz
adiquire um tom dourado e aconchegante, toca a minha música.
Por momentos esqueço os olhos sedentos dos homens nas
mesas, almas solitárias buscando afogar as mágoas,
esquecerem as dores e tentar mandar pra longe
a insônia, almas perdidas em sua própria escuridão, vejo
olhos de fogo, olhos de tesão, olhos de fome, olhos de solidão.

Esqueço de tudo o que existe ao meu redor e meu corpo desliza
e se contorce lânguido, sensual e faminto, sensual e solitário.
Aos poucos tiro o casaco e sinto meu corpo já quente se
encher de um desejo louco e como se houvesse ali um amante
invisível faço sexo com ele...ajoelho-me seminua de frente
para os olhos da noite e com as velas que estão ao meu redor
castigo minha pele e derramo o líquido quente nas costas...
nos seios...nas coxas...nessa hora a música se torna mais
vibrante e meus gestos mais rápidos até
sentir o êxtase da música e do liquido quente no meu corpo,
um castigo, um prazer, uma dor...
Ninguém vê, só eu sei que nesse momento choro.

Antes de terminar noto um estranho na platéia.
Ele é diferente,  não deve ser daqui. Logo as luzes se apagam.
Acabou.

A madrugada e as ruas vazias me fazem sentir uma solidão
insana, sinto falta de uns braços em volta do meu corpo,
sinto falta de todos os homens que desprezei, de todos os
amores que evitei viver por medo de sofrer. Dos homens
que eu vi ficarem para trás chorando enquanto eu partia, fria,
sem sentir nada...apenas queria ficar sozinha.
A solidão me chama.

Noite de sábado eu só me apresento no “Blue Room” sempre
para o mesmo homem, um milionário entediado da vida e que
vem ali apenas me olhar. Um tipo estranho e de pouca conversa,
sempre com seu copo de Chivas sem gelo e uma garrafa cheia
ao lado, na mesa. Quando entro no quarto, pronta para o que seria
mais uma noite me deparo com o estranho homem que estava
outro dia no bar.

Ele tem olhos misteriosos e tristes, ele olha não para meu o corpo,
ele invade minha alma, meus pensamentos, ele entra em mim e me
faz abaixar o olhar, ele toca meu corpo sem tocar, ainda sobre o
impacto desse momento a música começa a tocar e danço
lentamente para ele, inesperadamente ele levanta-se e
vem dançar comigo.

Mas não dançamos. Apenas nos abraçamos, forte, forte, como se
fossemos um do outro, como se fosse um reencontro, sinto o calor
morno e excitante sendo transportado aos poucos do corpo dele
para o meu corpo gelado, sinto o cheiro dele e sim, eu já sonhei
com este perfume, e sinto os lábios dele: leves, doces aquecendo
minha boca, um beijo suave e intenso como nunca senti.
Só conheço beijo de predadores, beijo de sexo.
Sinto as mãos d'ele tocar a pele da minha cintura e meu corpo
inteiro estremecendo com um simples gesto como esse.
Não sei quanto tempo durou o abraço, só sei  que estou no chão,
nua, ele me beija inteira, desvenda meu corpo
com as mãos...me toca e me leva ao mundo surreal do
prazer do toque...Ele pouco fala. Suas mãos e seu corpo,
seus olhos dizem tudo.

Amamos-nos como dois amantes separados pelo tempo,
distância ou qualquer outra barreira, com fome, com ternura,
com pressa, com saudade, com paixão.
Foi como se tivesse feito amor à primeira vez na vida.

Ele partiu e foi como se tivesse levado metade de mim, prometeu
voltar, mas nunca mais o vi pessoalmente.
Vejo-o nos meus sonhos, nas minhas fantasias, nos meus delírios
e nos pesadelos. Só queria saber onde ele está, se está bem,
quem é ele. Investiguei durante seis meses, mas nada descobri,
o nome que ele dera era falso e pagou em dinheiro.
Ninguém sabe quem ele é, nem de onde surgiu.

Seis anos se passaram e até hoje ainda espero por ele.....

Estou num café perto da minha casa, vejo o jornal em cima
da mesa e na primeira página uma manchete pequena
do lado esquerdo me chama a atenção.

“Volta hoje para o Brasil depois de seis anos o escritor Nel,
enquanto esteve fora escreveu um livro com lançamento
previsto para Junho com o título de Velvet“
E mais nada.

Ele escreveu um livro com o nome que eu usava há anos
atrás no “Blue Room”até o dia em que ele apareceu por lá.

-Preciso encontrá-lo, mas onde? Ele vai me procurar no BR.

Está tudo fechado, ninguém atende ao telefone. Sento no banco
no outro lado da rua e espero. Enquanto o tempo passa eu
me faço mil perguntas:
-Por que ele não ligou, por que não deu notícias?

Um carro para em frente a Blue Room, vejo que é ele e
meu coração dispara.
Ele bate, ninguém atende...ele leva às mãos a cabeça..e
quando se vira encontra meus olhos nos olhos dele.

Ele atravessa a rua para falar comigo, mas um som
abafado e ensurdecedor me atordoa, o som de
pneus se arrastando no asfalto e o silêncio gritante e infinito....

Ele trazia um livro para mim, mas não pode me entregar.

Ajoelho-me e beijo seus lábios, olho pra ele pela última vez
e vou embora com o livro que ele escreveu para mim....
novamente pelas ruas desertas...agora sem ninguém para
esperar, agora serei eu apenas e minha inseparável
solidão e a última frase que ele me falou antes de partir:

"Don't stop believing"

VÊNUS

16 de mai. de 2010

Faltando um pedaço...........















"E o coração de quem ama
fica faltando um pedaço
Que nem a lua minguando,
que nem o meu nos seus braços"

Djavan

15 de mai. de 2010

Você e a Noite Escura












Às vezes eu me sinto um fantasma
Arrancando flores no jardim
À meia- noite
Penso em você e sigo despedaçando
Pétalas ao vento
Na tempestade
Pétalas vermelhas
Tô com saudade
De você,
de você

E as ondas vêm me cobrir na noite escura
E as ondas vêm me cobrir na noite escura
Às vezes eu não sei se é a noite
Ou se é a vontade de te ter agora
Agora

Eu penso em você e sinto a tempestade
Desabar por dentro e por fora
Eu penso em você
e sinto toda a vontade do mundo
De te ter agora, agora
Você
Agora.......................



(Lobão)

12 de mai. de 2010

Essa noite não....
















O vento sul varre tudo o que há no chão, folhas secas, sacolas plásticas.
As mulheres que param para olhar o corpo não sabem se seguram o
vestido ou os cabelos. Os homens disfarçam, mas querem ver
o corpo nu exposto sem vida.

-Era tão bonita e tão jovem! Ela não saía de casa nunca, raramente
era vista aqui no prédio.Comenta minha vizinha do apartamento ao lado.

Todos do prédio estão nas janelas dos apartamentos para ver meu
corpo imóvel. Pessoas surgem de todos os lados, ouço o barulho da
sirene do carro dos bombeiros.O corpo nu, a pele branca, os
cabelos molhados e nenhuma gota de sangue.
Estava ali deitada no chão frio. Tão só.

-Pq estou aqui no chão? Como está frio! Pq essas pessoas estranhas
olham para mim com olhar de pena e de horror?

Ao mesmo tempo que sentia um vazio vulcânico como se me tivessem
arrancado todas as entranhas, sentia uma paz muito grande, simplesmente
porque já não pensava mais.
Os pensamentos que me torturavam tornaram-se apenas brisa leve.
Já não pesava mais meus olhos e nem meu corpo.
O desejo frustrado e não realizado já não me ardia no corpo frio e vulnerável.

Talvez a premonição de minha mãe tenha se realizado:
-Lia, você nasceu para sofrer!

A minha nudez exposta ali, no centro da cidade, como num palco,
alguns homens se acotovelavam para olhar. Os bombeiros logo que
chegaram cobriram meu corpo com um tecido prateado futurista
e me levaram para uma ambulância barulhenta com cheiro de éter.

Por alguns momentos apaguei.
Quando voltei a “ver” estava no meu quarto, na minha cama, nua.
O corpo esticado na cama.

Quero segurar minhas pernas na cama, parecem pesar 100 kg
cada uma, ao mesmo tempo elas se tornam tão leves, tão leves
que parecem ter vida própria e querem levantar, levando meu
corpo junto. Querem ir até a janela do apartamento no décimo
segundo andar e voar, voar…e sentir o vento gelado da noite
de inverno, perder o peso do corpo e apagar todos os pensamentos ruins.

É uma luta cruel entre minha mente e o meu corpo.

O barulho da ambulância havia cessado, tudo era silêncio agora.
Ouvi o canto de um pássaro, o som do motor de um carro e da
vida seguindo seu curso lá fora.

Uma luz forte faz meus olhos arderem e sinto tontura, vertigem.
E como se eu voltasse de muito longe lentamente..

Acordei! Desta vez foi apenas mais um pesadelo.
Essa noite.............não!

Vênus

10 de mai. de 2010

A TROCA

 






















A voz fria e desconhecida do outro lado da linha, a mente tentado
captar algo familiar, um sotaque, um timbre. Não conseguiu.
O silêncio depois do final da ligação e aquela voz repetindo sem
parar:

-Pedro quer encontrar você hoje em frente a igreja no centro
ás 23:00. Não se atrase, não leve ninguém com você. Ele diz que
você corre perigo. Tome cuidado. Leve o pacote com você.

Ele vai se esgueirando pela madrugada, este é o seu horário
de sair da toca. Bicho noturno e arisco sente-se mais seguro
na ruas escuras, nas calçadas vazias e nos parques assombrados
por outros notívagos como ele.
Está com pressa, deixou a namorada no quarto do porão escuro
e frio, um cortiço minúsculo onde se esconde durante o dia e
onde pessoas normais não o incomodam com seus falsos º
códigos morais.

Estava a caminho de uma missão importante e disso dependia
quem sabe uma vida diferente longe do porão e daquela
cidade negra. O carvão cobria tudo e as minas traiçoeiras
por baixo da terra causavam medo,  era uma cidade prestes
a afundar deixando o ar pesado, quase insuportável.

A pressa, o nervosismo, o telefonema, tudo aquilo já havia
acontecido antes, mas desta vez algo não estava cheirando bem.
Sentia que o problema era sério.
Atravessou a avenida principal já vazia e se dirigiu ao parque
em frente a igreja, ali no meio da noite e das grandes árvores
seria  o local da troca.
Pacote x dinheiro.
Um carro da polícia passa fazendo a ronda no exato momento
em que ele chega ao parque e é encoberto pela sombra
da noite e das árvores.

Alguém se aproxima, mas passa por ele sem falar nada,
apenas olha  e segue em frente. Logo Pedro aparece.

-Rápido, não tenho muito tempo, me meti numa enrascada e
preciso sumir por um bom tempo.

-Mas o que aconteceu cara?

-Uma briga com minha namorada e acabei perdendo cabeça, fiquei
nervoso, ela caiu do oitavo andar, fugi, os irmãos dela estão todos
atrás de mim. Ela morreu cara.

Pedro falava com pressa, dizia coisas sem nexo, parecia duvidar
das próprias palavras.

João entregou o pacote com os documentos falsos e recebeu
o pacote de dinheiro. Pedro se despediu e sumiu na escuridão
da noite com o homem que o acompanhava, um segurança armado.

João subiu a escada lateral que o levaria a torre da igreja,
gostava de ficar lá vendo a cidade na madrugada, os sons,
os silêncios, os solitários , as prostitutas, os travestis,
os garotos atrás de drogas e a polícia sempre rondando,
as corujas, os morcegos.

Naquela noite algo havia mudado na paisagem, olhou para local
onde havia estado  minutos antes com Pedro e o que viu o deixou
gelado. Alguns homens, uns 4 ou 5 procuravam por alguém,
rondavam o parque, olhavam para os lados, logo depois chegou
a polícia conversaram e saíram todos na mesma direção, 
a casa de Pedro.
Sentiu que desta vez a missão poderia lhe sair caro demais.
Poderia ser descoberto e não queria nem pensar em voltar para
a cadeia. Passou dois amargos anos em meio ao mais baixo nível
a que um homem pode descer, sujeira, drogas, doenças,
violência, humilhações e medo.

Esperou algum tempo e seguiu de volta para o seu esconderijo.
-Vamos viajar, vamos para bem longe por um tempo. Até as
coisas esfriarem. Viviane vai comigo. Não precisamos levar nada,
Temos que fugir esta noite ainda.
Pensava enquanto caminhava apressado.

Chegou no alto do terreno viu que as luzes do porão estavam
acesas. Desceu correndo as escadas de chão batido, pulando
de dois em dois degraus, quando chegou ao porão a porta
estava aberta.
Não havia ninguém ali.

Um bilhete pendurado na porta da geladeira.
-Nos diga onde está aquele assassino e nós a devolveremos
sem ferimentos. Aliás ela é muito bonita.

Mil pensamentos, um tormento de ideias e raiva de viver
no submundo e ter levado a mulher que ama para aquele lugar.
Foi para o quarto, pegou uma garrafa de whisky e bebeu,
cheirou, bebeu até perder os sentidos.

Nunca  mais soube de Viviane e nem o paradeiro de Pedro.
Seguiu viajando sozinho. Estava numa praia no norte do país.
Ali ninguém  o conhecia, vivia com seus fantasmas
e só tinha como amigo o mar azul e inquieto.

Na frente da casinha onde vivia havia um trapiche onde
desembarcavam os raros turistas em busca de aventura
já que o lugar era selvagem e sem infraestrutura nenhuma.

De repente algo lhe chamou a atenção, um casal de mãos
dadas desce do barco e segue até um quiosque em frente a praia.

Não tinha nenhuma dúvida eram Pedro e Viviane.

Ele jamais havia desconfiado de nada entre os dois.
Não resistiu a raiva e a busca por respostas foi mais forte,
e saiu atrás deles, mas o quiosque estava vazio.

Olhou para o barco no trapiche  e só viu os cabelos de Viviane
balançando ao vento, levando embora junto com ela todas
as respostas, todos as dúvidas e toda a culpa
que sentia por achar que ela havia morrido.

Ficou na areia, no trapiche, olhando o mar, o vazio…

Vênus

6 de mai. de 2010

Alfândega



















Com um livro e uma pequena mala de mão, ela segue em meio a multidão
com passos apressados, segue o ritmo e nem sabe ao certo para aonde está indo.
Imagina que todos tem o mesmo objetivo passar na alfândega e pegar as malas.

Ela estava ansiosa...estava de volta...mas seu coração ficara em Lisboa.

Envolvida nesses pensamentos ela se viu numa enorme fila de espera para carimbar o passaporte na temida alfândega.

Do seu lado esquerdo uma fila muito maior se formava...um empurra-empurra geral, mulheres com crianças no colo reclamando preferência na fila, idosos, pessoas aflitas sem saber em qual das duas filas deveria ficar, confusão geral.


Mas ela estava tranquila vendo a fila gigante que se formara a sua direita, pensou:
-Tive sorte de chegar antes e entrar na fila menor.

Alguns olhares dos homens na fila a deixaram sem jeito, a inesperada invasão daqueles olhares causou desconforto, não estava num território seguro, não estava armada para se defender de alguma investida sempre previsível e chata que alguns homens fazem...observou um homem loiro de olhos azuis que embarcou com ela em Lisboa e que viajou sempre muito sério, um alemão. Este a seguia atentamente com o olhar, como se entre eles houvesse um segredo, uma cumplicidade profissionalmente disfarçada.
Alguns italianos falantes e sorridentes, espanhóis, uma mulher brasileira logo atrás dela que também se mostrava agitada.

Não tinha para onde se virar que lá estavam olhos a lhe seguir, a lhe desnudar o corpo e o pensamento.

Vestida de preto e salto alto, o decote da blusa era um pouco aberto demais para estar ali num ambiente tão estranho. Segurou o livro junto ao peito e tentou pensar em outras coisas, mas pensava se havia algo errado com ela..ou se a roupa estava inadequada ou se estava bonita, não..bonita depois de 10 horas presa a um assento de avião..não.

Curiosamente a fila gigantesca ao lado estava sendo dizimada numa velocidade incrível, enquanto a fila menor não se mexia.
Tudo isso a incomodava....instintos ligados..algo errado.

- Você é brasileira? perguntou a mulher que estava logo atrás dela.
-Sou.
-Você sabe se é aqui a fila correta? Eu sou brasileira, mas meu marido é italiano e tenho dupla cidadania.

Ela respondeu que sim, que deveria ser ali mesmo.
A mulher agradeceu com um sorriso e voltou a conversar com seu italiano.


Ela ficou com uma pulga atrás da orelha, ora mas que coisa...se o marido que é italiano e estrangeiro está na fila certa....espera aí....

Ela foi até um dos guichês, pediu licença para um senhor que estava sendo atendido e perguntou ao homem da alfândega:

-Senhor, por gentileza, o senhor pode me informar se é aqui a fila para carimbar meu passaporte?. Entregou o passaporte a ele.

Sem demonstrar nenhuma reação, com um gesto robótico e cansado ele devolveu o passaporte a ela e disse:
-Senhora, a fila para brasileiros é aquela ali ao lado!

Ela olhou para o lado atônita....não havia uma só pessoa na outra fila.

Entregou o passaporte a outro “robô” que não a olhou sequer, carimbou o passaporte e ela seguiu para onde estariam as malas. A fila novamente gigante e as malas rodando, coloridas e abandonadas.

Ela observa um dos homens da alfândega armado que a observava, não desviou o olhar, mas sentiu um calafrio.
Nada poderia dar errado agora, faltava pouco.


Na área externa do aeroporto um carro preto a espera, ela sorri.
Entra no carro e beija o alemão de olhos azuis que esteve o tempo todo por perto silenciosamente.

Ela olha para trás e vê uma agitação de guardas e policiais no aeroporto. Ele acelera o carro e os dois desaparecem pelas avenidas da cidade….



Vênus

4 de mai. de 2010



















Deixa
que o meu olhar
desça ao fundo
da tua alma;
que olhando-te,
te conheça
e saiba o que há
sob a calma do teu ser
visto tão suave...


Fernando Pessoa

3 de mai. de 2010















O vazio
só acontece
quando você sabe
o que é amar e ser amado
e não ter esse alguém ao lado...

O caos é viver
sem amar ninguém ,
sem ser amado

Vênus


Foto by Nane
 
Poemas para ti..............sempre....sempre para ti

1 de mai. de 2010



















"Devias estar aqui
rente aos meus lábios
para dividir contigo
esta amargura
dos meus dias
partidos
um a um"

 Eugénio de Andrade

25 de abr. de 2010

















"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pátio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
 
 
(Olavo Bilac)

21 de abr. de 2010














"Por te falar
eu te assustarei
e te perderei?

Mas se eu não falar
eu me perderei,
e por me perder
eu te perderia."


Clarice Lispector)

16 de abr. de 2010

Inevitável querer



















"Pois havia o perigo de,
por assim dizer,
morrer de amor."

Clarice Lispector


"Sinto-me toda igual às árvores:
solítária, (im)perfeita e (im)pura"

C. Meireles

10 de abr. de 2010

Afeto




















Partir sem destino algum
dividir sem saber com quem
porque o amor não entende
de linha reta
e caminhando assim
não mais serei ilusão
nem sonho
mas doce lembrança
do afeto primeiro

Vênus

7 de abr. de 2010



















"Tu eras também
uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali"
 
 
Pablo Neruda
 
Foto By Alex

5 de abr. de 2010














"Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos,
em inumeráveis noites de estrelas."

(Maiakóvski)












Ouve-me, ouve o meu silêncio.
O que falo nunca é o que falo
e sim outra coisa.

Capta essa outra coisa
e que na verdade falo
porque eu mesma não posso.

Clarice Lispector













Apenas amores impossíveis
e não concretizados podem ser românticos,
pq eles mantém viva a perfeição do desejo e da idealização

Será??

4 de abr. de 2010























Às vezes sentava-me na rede,
balançando-me com o livro no colo,
sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com um livro:
era uma mulher com seu amante.


Clarice Lispector