23 de jan. de 2011















Me tropecé contigo en primavera,
una tarde de sol, delgada y fina,
y fuiste en mi espalda enredadera,
y en mi cintura, lazo y serpentina.

Me diste la blandura de tu cera,
y yo te di la sal de mi salina.
Y navegamos juntos, sin bandera,
por el mar de la rosa y de la espina.

Rafael de León





Me tropecé contigo en primavera,




una tarde de sol, delgada y fina,



y fuiste en mi espalda enredadera,



y en mi cintura, lazo y serpentina.



Me diste la blandura de tu cera,



y yo te di la sal de mi salina.



Y navegamos juntos, sin bandera,



por el mar de la rosa y de la espina.



Rafael de León



14 de jan. de 2011























“Amor, cuántos caminos hasta llegar a un beso,
qué soledad errante hasta tu compañía!”


Pablo Neruda

1 de jan. de 2011

                                                                        
El viento es un caballo:
óyelo cómo corre
por el mar, por el cielo.
Quiere llevarme: escucha
cómo recorre el mundo
para llevarme lejos.

Escóndeme en tus brazos
por esta noche sola,
mientras la lluvia rompe
contra el mar y la tierra
su boca innumerable.

Escucha como el viento
me llama galopando
para llevarme lejos.

Con tu frente en mi frente,
con tu boca en mi boca,
atados nuestros cuerpos
al amor que nos quema,
deja que el viento pase
sin que pueda llevarme.

Deja que el viento corra
coronado de espuma,
que me llame y me busque
galopando en la sombra,
mientras yo, sumergido
bajo tus grandes ojos,
por esta noche sola
descansaré, amor mío.


Pablo Neruda

29 de dez. de 2010

Don Quijote























Molinos en Consuegra,Toledo.

“…Cuántas veces, Don Quijote, por esa misma llanura,
en horas de desaliento así te miró pasar…
y cuántas veces te gritó: “Hazme un sitio en tu montura
y llévame a tu lugar.
Hazme un sitio en tu montura,
caballero derrotado,
hazme un sitio en tu montura,
que yo también voy cargado
de amargura
y no puedo batallar.
Ponme a la grupa contigo,
caballero del honor,
ponme a la grupa contigo
y llévame a ser contigo,
contigo pastor…”


Joan Manuel Serrat
En “Vencidos”

27 de dez. de 2010



“A la rosa y a la nieve,
alguien oyó lamentarse

Por Dios que salga el sol
Rogó la rosa al frío amanecer
Porque necesito del calor
Si no mis hojas van a perecer

La nieve la miró
Y dijo ten un poco de piedad
Cuando salga el sol me muero yo
Y quiero estar contigo un poco más

¡Un vaquero que pasó
Un dia frente al rosal
Y en un charquito encontró
A la flor sin color, deshojá!"

Manuel Pareja Obregón

5 de dez. de 2010















"A arte me parece ser um estado de alma
mais do que qualquer outra coisa "

Chagall

Formas





















Há sempre uma madrugada
em que os candelabros de ouro enaltecem
as tuas formas,
a tua alquimia de pecado e volúpia,
há sempre,
no teu sorriso breve,
uma brisa que regressa do mar,
trazendo o lamento dos náufrafos,
a sua sede irremediável.
Nestas horas de assassinada alegria
ergues os braços e uma súplica,
mas ninguém te ouve, ninguém te vê,
encerrada numa túnica de cores puras.

{José Agostinho Baptista}

24 de nov. de 2010

23 de nov. de 2010

Noites Silenciosas


Junto as letras
em tresloucada
esperança
de encontrar-te
nas entrelinhas
dos sentimentos

Penso em ti
no teu rosto secreto
no teu nome de brisa
e sal
na tempestade
que causas em mim
nas noites silenciosas

Atravesso o mar
de mistérios
da tua pele
e cravo na alma
arco-íris de cores
borboleta invisível

Serra de estrelas e de sonhos

13 de nov. de 2010

1 de nov. de 2010

Amantes



























Amantes
inebriados
cruzam
o céu escarlate
e azul

Balançam
em nuvens
douradas
lançando
gotas milenares
de paixão e luz
Em seus loucos caminhos
de horizotes inteiros
sussurrando baixinho
poemas de amor
em lençóis brancos
de puro linho
 
Vênus

19 de out. de 2010
















Dizes: põe nos meus os teus dedos
e passemos os séculos sem rosto,
apaguemos de nossas casas o barulho
do tempo que ardeu sem luz.

Sim, cria comigo esse silêncio
que nos faz nus e em
nós acende o lume das árvores de fruto.

Diz-me que há ainda versos por escrever,
que sobra no mundo
um dizer ainda puro...

Vasco Gato

8 de out. de 2010

Delírio















Na tênue
linha do tempo
e espaço que
me separam de você

Na doce ilusão de sentir
seu toque
sem sua presença
meu corpo
vibrando no ar

Sentindo

Intensa ternura
desviando-me
do mundo real

Sonhando

Contorno seu corpo
num ângulo perfeito
para o delírio do meu

Borboletas envolvem
nossos gestos
com doces loucuras
que só o amor
pode criar

Vênus

5 de out. de 2010


















A uma luz perigosa como água
De sonho e assalto
Subindo ao teu corpo real
Recordo-te
E és a mesma
Ternura quase impossível
De suportar
Por isso fecho os olhos
(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da
provocação. É assim que te faço arder triunfalmente
onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)
Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante
Familiar concreta
Como um corpo decifrado de mulher
E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços


Alexandre O´Neill

1 de out. de 2010


















Talvez assim ela reencontre o corpo

da sua ténue nudez tão gratuita e tão leve

e sendo apenas um sopro que atravessa as imagens

as desnude até serem vagas luas

sobre a maré branca de um silêncio iluminado

pelo seu abandono ao corpo que deseja.



- António R. Rosa