22 de jan de 2010

Este Cais Vertical
















Vem escolher o encanto para que o mar nos respire
quando a calma sufoca
Vem prender esta visão de inquietante alegria no silêncio mais alto
para que seja farol na ponta de um desejo alado

Esquece o mar absurdo
os barcos de papel eternamente longe os olhos ancorados
os passos como pedras para os braços crescerem verticais
e os sonhos inautênticos
o mar das armaduras submersas por enquanto vem
içar as gaivotas para que as possas baixar quando quiseres
se um céu apenas negro for preciso

Vem dormir sobre mim com o peso das coisas arribadas
o peso de nascerem sem mastros as noites e ser ainda cedo
e ser sempre tão cedo ao pé do mar que os olhos nem repousam
nem as espadas se cumprem erectas na fímbria de água dos desejos

Vem dormir sobre mim ainda é esta a manhã
de quando o mar unificava as escarpas
e as mãos os cumes e os destinos os anseios e as vozes
e é tempo de enfrentar a distância das coisas aqui
onde as coisas não cabem mas todos os rumos se concentram


Carlos nogueira

Um comentário:

Vieira Calado disse...

Gostei do poema.

Bjs